Um site pode ter aparência organizada e ainda impedir alguém de concluir uma tarefa. Botões sem nome, formulários difíceis de entender e menus que não funcionam com teclado são barreiras que não aparecem em uma captura de tela.
As WCAG, Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web, oferecem critérios técnicos para tornar conteúdo digital mais acessível. Use-as como referência de trabalho e avaliação, não como um selo que um plugin aplica sozinho.
Entenda os quatro princípios
O conteúdo precisa ser perceptível, operável, compreensível e robusto. Em termos práticos, a pessoa deve conseguir perceber a informação, usar os controles, entender o funcionamento e acessar a interface com tecnologias compatíveis.
As WCAG têm níveis A, AA e AAA. Eles representam conjuntos de critérios de conformidade, não classificações de pessoas ou tipos de deficiência. Atender um critério isolado não permite declarar conformidade com o nível inteiro.
Comece pelas tarefas importantes
Liste o que o visitante precisa fazer: encontrar um artigo, realizar uma busca, preencher um formulário ou concluir uma compra. Faça uma revisão dessas jornadas, incluindo mensagens de erro e confirmação.
Uma página inicial corrigida não resolve um formulário inacessível em outra parte do processo. Guarde exemplos dos problemas encontrados e defina prioridade pela dificuldade causada ao usuário, além da frequência da tarefa.
Revise o conteúdo e sua estrutura
Use títulos para organizar as seções, sem escolher o nível apenas pelo tamanho visual. Links devem explicar o destino; “guia de configuração do leitor de tela” informa mais que vários links chamados “clique aqui”.
Imagens informativas precisam de alternativas que comuniquem sua finalidade. Imagens decorativas não devem gerar descrições desnecessárias. Vídeos e áudios exigem alternativas apropriadas, como legendas e transcrições, conforme o conteúdo. Veja como revisar legendas geradas com IA.
Teste navegação e formulários
Navegue usando apenas o teclado. Observe se o foco aparece, se os controles podem ser acionados e se você consegue sair de menus ou janelas abertas. Não use apenas o mouse durante a avaliação.
Nos formulários, confira rótulos, instruções e erros. A pessoa precisa saber o que preencher e como corrigir uma informação. Não dependa somente de uma mudança de cor para indicar que algo deu errado.
Contraste e zoom precisam de teste
A WCAG 2.2 estabelece, no critério de contraste mínimo de nível AA, razão de 4,5:1 para texto comum e 3:1 para texto grande, com definições e exceções no documento. Cores que parecem diferentes para você não necessariamente oferecem contraste suficiente.
Além de medir contraste, amplie a página e verifique se conteúdo e controles continuam utilizáveis. Observe se textos ficam cortados ou sobrepostos. Uma tabela ou componente pode precisar de tratamento específico, mas a leitura geral não deve depender de arrastar a página inteira lateralmente.
Combine testes automáticos e manuais
Ferramentas automáticas ajudam a encontrar alguns problemas, mas não interpretam todas as situações. Um texto alternativo pode existir e ainda ser inadequado. Uma interface pode passar por verificações e continuar difícil de usar.
Inclua testes com tecnologias assistivas e participação de pessoas com deficiência quando possível. Registre o escopo da avaliação. Uma checagem inicial serve para orientar correções, não para afirmar que o site está totalmente acessível.
Mantenha a revisão na rotina
Novos artigos, banners e funcionalidades podem introduzir barreiras. Crie uma lista editorial para títulos, links, imagens e mídias e uma rotina de avaliação para alterações de interface.
Para estudar os recursos usados por visitantes, veja acessibilidade no celular. Para aplicações e testes específicos, consulte a documentação do W3C. Obrigações jurídicas precisam ser analisadas conforme o caso; seguir uma lista técnica não substitui essa avaliação.
Um roteiro para revisar um artigo antes de publicar
Leia os títulos em sequência para verificar se a organização faz sentido. Depois confira os links fora do parágrafo: eles ainda indicam claramente seu destino? Se vários apontam apenas “saiba mais”, revise os textos conforme o contexto.
Observe cada imagem e identifique sua função. Uma imagem informativa precisa comunicar o conteúdo necessário; uma decoração não deve acrescentar ruído ao leitor de tela. Uma captura de tela com instruções pode exigir a explicação em texto, e não somente um nome genérico.
Teste o artigo com zoom e em tela pequena. Verifique se há trechos cortados e se tabelas ou mídia deixam de permitir consulta. Essa revisão editorial reduz algumas barreiras, mas não substitui a avaliação da navegação e dos componentes do tema.
Plugins e sobreposições não são certificados
Um botão de contraste, um avatar de Libras ou uma ferramenta de ajustes não comprova conformidade da página com WCAG. A informação e os controles precisam ser avaliados por critérios e tarefas reais.
Se contratar um serviço de auditoria, pergunte quais páginas, jornadas e tecnologias foram avaliadas e como os resultados serão documentados. Uma lista automática de erros e uma avaliação de conformidade têm escopos diferentes.
Para compreender o acesso feito por usuários, veja como funcionam leitores de tela. Para quem está aprendendo a desenvolver interfaces, consulte programação com foco em acessibilidade.
Fontes e documentação
- W3C WAI: visão geral das WCAG
- W3C: WCAG 2.2 em português brasileiro
- W3C WAI: primeiras verificações de acessibilidade
- W3C WAI: tutoriais de imagens, formulários e estrutura
Fontes consultadas em 12 de outubro de 2026. Funções, disponibilidade e condições dos serviços podem mudar.